Meia entrada e o rapaz que fingiu ser cadeirante para assistir aos “vingadores”

Hoje nós repostamos uma foto do nerd e a cadeirante, onde um rapaz vulgo ” normal”, finge ser cadeirante para entrar no cinema para assistir “os vingadores” pois os ingressos “normais” já tinham esgotado!

Assim é muito fácil pra sociedade e eu vivencio isso todos os dias julgar nossos direitos como regalias, vantagem, ah você tem vaga de estacionamento preferencial, não pega fila, compra carro com desconto, tem ingressos na metade do valor, lugar diferenciado, se aposenta mais cedo, tem cota na universidade, cota pra emprego , muitos privilégios, etc

Realmente, eu me sinto um privilegiado, primeiro por ter apoio e amigos/família/namorada fantásticos, me sinto privilegiado por ter a oportunidade de ter passado num concurso e ser aposentado deste e não depender de um salário como o bpc que mal dá pra pagar uma subsistência.

Sou privilegiado em ser Tetraplégico e morar só, em ter uma casa própria e dentre outras coisas que agradeço a Deus todos os dias.

Mas não me sinto privilegiado em nada referente a minha condição física e deficiência, pois só quem passa por isso sabe o ônus social e financeiro que nos acarreta, o custo de materiais, remédios, cuidadoras, transporte mais caro, adaptações dentre outros que só quem é PCD vai entender!

Essa semana discuti com um amigo a questão do camarote de uma festa aqui em minha cidade, onde geralmente todos os ingressos são “meia” e agora , recentemente com aplicativos e para seguir a lei, eles ofertam 40% de meias na “seção” pista e conforme a lei não dispõem entradas para os camarotes e áreas privilegiadas, por lei o benefício de meia entrada não se aplica a serviços adicionais oferecidos em camarotes, mas não limita as áreas e muito menos restringe o meu poder de escolha, e comodidade.

Na visão desse meu amigo , “se eu não tenho condições de pagar que eu não saia de casa, se a área da pista não tem acessibilidade, não conseguirei ver o show, que eu escolha outra festa, que não vou morrer por isso”, nas palavras dele, “essa lei é abuso, você não está sendo privado de ir, pra que quer ir no back stage, cachaça de graça?

 “vá processar por falta de acessibilidade, na próxima festa eles aprendem a ter pista acessível, (coisa que já fiz via MP e nada foi feito) por que você perde tempo e dinheiro querendo ir pra essas festas?”

” Você está dando xilique por causa de uma festa de camisa? O banheiro químico é o mesmo na pista ou no camarote, a bosta boiará do mesmo jeito!”

“Você não será menos ou mais se deixar de ir!  Eu já deixei de ir a cinema pra não pagar inteira e nunca morri, se não dá pra pagar eu não vou, não fico tentando achar meios para conseguir.

Então é muito fácil que não vivência nosso dia a dia, as dificuldades que enfrentamos ao sair de casa, ao pegar um transporte público ou pagar o dobro do preço do táxi, ter sempre que levar um acompanhante pra auxiliar na locomoção, chegar num evento/espetáculo sem acessibilidade, sem banheiro adaptado e ter que fazer o cateterismo no meio do povo , sem o mínimo de privacidade, fora os riscos eventuais a saúde, infecção urinária etc, ser segregado a espaços mais curtos e sem visibilidade, a ter que ultrapassar barreiras, obstáculos como terra, lama, cascalhos, ser por vezes carregado, sem rampas ou ainda mal feitas, longe do padrão, íngremes e por vezes perigosas, escadas e descidas de meio fio com desníveis e buracos, ocasionando MUITAS quedas e danificando a cadeira.

Então é muito fácil pra ele regurgitar tais palavras.

É muito fácil pra essa galera que tem só como problema diário o trânsito devagar, o trabalho exaustivo, a gasolina mais cara, os impostos, o governo maluco, dizer que é tudo regalia, que tiramos vantagem.

A meu ver tirar vantagem, procurar meios pra usufruir de algo, o famoso jeitinho brasileiro é o que vimos , o dito cujo que fingiu ser cadeirante pra entrar no cinema, os meus vizinhos que se eu tirar meu carro da minha vaga preferencial, encontrarei ocupada na volta, aqueles velhos 5 minutinhos que já saio, aos milhares que cortam um dedo e já procuram isenção na compra de um carro , ou até se aposentam e viram presidentes, são tantos absurdos que ouvimos e vemos diariamente, que fica a pergunta no ar:

Quando esse país irá mudar?

 

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