DESENHO_UNIVERSAL_Mask_web-large

No chamado Design Universal, o desafio é projetar para a diversidade humana. Em outras palavras: usar o design como ferramenta essencial para se alcançar de fato a inclusão. A convite de KAZA, quem aborda o tema é Renata Mello, arquiteta e diretora da Bio Arq – Soluções em Arquitetura, ao valorizar a importância de recursos visuais, sonoros e táteis na estimulação dos sentidos.

A elaboração do design de produtos vem sendo transformada pela aplicação do conceito do Design Universal. Esta maneira de pensar surgiu nos Estados Unidos a partir da necessidade de adequar os espaços às pessoas com deficiência. Possui como paradigma conceber ambientes e produtos para o maior número possível de usuários, independente de imitações, respeitando a diversidade humana. O importante é atender a todos. E é significativa a mudança de foco que, no desenvolvimento de produto, altera desde as primeiras etapas de concepção até o projeto em si e sua construção efetiva. O design passa então a ser desenvolvido para atingir qualificações essenciais, que passam pela equidade no uso; flexibilidade: o ser simples, fácil e comunicativo; e também o ser seguro, eficiente e confortável, além de interativo e atraente.


Mictório Lloyd, com sensor

Um exemplo japonês

A empresa japonesa Toto (www.toto.co.jp) prioriza este pensamento na elaboração e aperfeiçoamento de componentes de cozinhas e principalmente de sanitários. Desenvolve diversos objetos ergonômicos, funcionais e seguros, derivados de pesquisas técnicas aprofundadas e principalmente a partir da observação na relação do usuário com a peça protótipo. Busca compreender, dessa forma, as necessidades reais dos consumidores em questão. O resultado dessa postura gera produtos que se adaptam ao usuário e compensam incapacidades, o que leva a um aumento funcional do indivíduo e melhora significativa em sua auto-estima e na sensação de bem-estar.

As inovações no design aparecem na medida em que ocorrem combinações criativas no uso da automação, dispositivos arrojados, simplificação de componentes e alteração ergonômica.

A torneira Ecopower, por exemplo, possui soluções técnicas que proporcionam praticidade e economia, devido ao uso de sensor e sistema que aproveita a própria água que circula no interior da peça para gerar energia à bateria. Outro produto interessante é o misturador da linha Clayton, de curvas elegantes e contornos simplificados, que permitem fácil manuseio.

Ainda da empresa, uma louça sanitária muito eficiente é o vaso de caixa alta acoplada da linha Pacífica. A peça possui um design interno que distribui melhor a saída de água em seu interior, otimizando o sistema e melhorando a limpeza. Da mesma linha, o vaso de caixa baixa acoplada revela-se versátil. De dimensões enxutas, permite instalação em um número maior de lugares, inclusive em banheiros acessíveis que sempre precisam de barras horizontais acima do vaso sanitário.


Vaso sanitário com caixa baixa acoplada, misturadores da linha Clayton e Washlet C100, acessórios tecnológicos que multiplica a funcionalidade do tampo sanitário.

Outro destaque da Toto é o acessório tecnológico Washlet C100, produto que vai além de assento para vaso sanitário. Entre os recursos, permite a higiene por jatos de água e regulagem de temperatura do assento, sistemas de fácil controle na lateral da própria peça. O mictório Lloyd, criado com traços minimalistas e sofisticados, é mais uma novidade que, graças à tecnologia com sensor, permite praticidade de uso e higiene.

Não há dúvida, a busca por novas soluções é constante e leva a reflexões diferentes até sobre produtos que já estão no mercado. Recursos visuais, sonoros e táteis são combinados e empregados para estimular os sentidos. As possibilidades não têm limites, o caminho é promissor, inovador e desafiante,

Tendência e responsabilidade social

A aplicação do Design Universal é uma tendência que tem se multiplicado em diversas partes do mundo. Empresas canadenses, americanas, portuguesas, espanholas, japonesas, brasileiras inclusive estão desenvolvendo produtos com o objetivo de promover qualidade de vida. Por seu lado os designers, ao pensarem e construírem para todos, quebram fronteiras que limitam aquela boa parte da população, não incluída na sociedade por falta de condições adequadas. A mudança nesse quadro resgata os princípios de cidadania, amplia a autonomia e o poder de ação de um grupo bem significativo. Essa roda virtuosa, por sua vez, configura comunidades mais equilibradas e responsáveis, proporcionando melhoria na vida das pessoas em geral.

E do ponto de vista dos números, o consumo dos produtos cresce movimentando a economia positivamente, apontando para os sinais de um desenvolvimento sustentável, que aparecem à medida que se minimizam os problemas sociais. Assim, de maneira surpreendente, o design assume um papel de responsabilidade social, permitindo a integração de pessoas dos mais variados perfis, culturas e percepções cognitivas, o que gera a formação de novas redes possíveis de desencadear uma série de transformações sociais e econômicas sustentáveis.

Fonte: forumdaconstrução