Por: Thaíse Maki

De repente você vê sua vida toda bagunçada em razão de uma tetraplegia!
Percebe que, dentre inúmeras “novidades” que lhe são impostas por uma “rasteira” da vida, as coisas mais simples passam a ser, na verdade, as mais complicadas, fazer xixi certamente é uma delas.

Tá legal, pensa na situação: Mulher, cadeirante, tetraplégica, com vontade de fazer xixi = Caos total em minha vida!

Por que? Bom, banheiros acessíveis já são raridade (absurdo, não deveria ser assim!). Agora imagina um banheiro todo adaptado para uma cadeirante mulher, tetra, que tem demandas diferenciadas… Sonho!!!

Para a maioria das mulheres cadeirantes tetraplégicas (e porque não para outras(o) cadeirantes) fazer xixi significa passar uma “sonda de alívio” (foto abaixo) que nos permite esvaziar a bexiga imediatamente.

Imagem da sonda: mangueirinha com um acessório azul na ponta

Entretanto, muitas Tetras precisam estar deitadas como no meu caso, quando dava “aquela vontade”, eu tinha que correr pra casa, pois começava a ter disreflexias, ficar vermelha, ter desconfortos no corpo de tanta vontade de fazer xixi (atualmente, tomo a medicação e aplico botox na bexiga, o que impede que eu tenha perdas urinárias, use fraldas, etc)… S.O.S.!!!!

Saia de onde estivesse, das melhores festas, dos melhores passeios, deixava de beber “aquela cerveja deliciosa” pois bebidas diuréticas significavam que muito em breve eu ia precisar “fugir dali”…

Passava vergonha de sair procurando lugares para deitar e fazer a “sonda miserável” e tãoooooo necessária. Já passei por cada situação… Juro que essa era a única hora em que eu queria ser homem (hahahahahahaha)

Vivi esse “perrengue” por quase 17 anos, agravado por episódios de infecções urinárias que não tinham fim. As mesmas bactérias começaram a ficar resistentes aos remédios orais e minha saída foi entrar para o rol dos remédios venosos. Não dava mais!

Então, em pleno HOSPITAL SARAH KUBITSCHECK – BH, conversa vai e vem, conheci pessoas que realizaram a cirurgia motrofanof.

Confesso que, no início, fui muito resistente, por se tratar de uma cirurgia invasiva e que faria mudanças no meu corpo… Difícil pra mim lidar com essas situações, repentinamente.
Mas o dia a dia e os esclarecimentos dos médicos e de pessoas que já fizeram ou que conhecem alguém que realizou o mesmo procedimento foi “abrindo minha mente” e me ajudaram a perceber que as vantagens estavam muito claras (Davi, Ana, Baiano, Naina, Mara… obrigada!!!).

Na imagem temos a ilustração de uma pessoa realizando a mitrofanoff

A técnica descrita por Paul Mitrofanoff em 1980, baseia-se na criação de um duto entre a bexiga e a parede abdominal que permite o esvaziamento vesical por cateterismo intermitente limpo.

Para isso, o médico pode usar o apêndice ou a parede do intestino e criar esse “canudinho” e, tirando o pós cirurgico, não há dores, não há buracos gigantes na barriga (pelo contrário!), não há bolsa de cateterismo pendurada, não há infecções (desde que operei, não apresentei nenhum sintoma).

Resumindo, foi uma das melhores coisas que já fiz! Hoje nem tenho mais vontade de “ser menino” na hora da sonda, posso fazer o xixi sentada e, em muitas ocasiões, de forma autônoma!!!

Se indico esse tratamento para todas as Tetras? Talvez sim, pois cada uma tem a sua peculiaridade e vai saber ponderar o que limita e o que liberta. Vale à pena (e muito!) pensar e pesquisar. Se optarem pela Mitrofanof, não se esqueçam de observar os procedimentos corretos de higienização e vida que segue! 

Beijo, Meninxs!
Se tiverem alguma dúvida, envie um e-mail pra gente pelo endereço [email protected]


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