Anna Beatriz da Silva Maciel e Hansvictor Fioravante dizem que intenção é proporcionar mais mobilidade e acessibilidade ao cadeirante, com projeto de baixo custo.
 
Por G1 MT
Cadeira tem baixo custo (Foto: Bruna Barbosa/ G1)
Cadeira tem baixo custo (Foto: Bruna Barbosa/ G1)
 
Dois adolescentes, de 16 e 17 anos, construíram um protótipo de cadeira de rodas, com peças de bicicleta e partes de suportes para televisão. Anna Beatriz da Silva Maciel e Hansvictor Fioravante, respectivamente, que cursam o 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá, desenvolveram o projeto para feira de ciências da instituição.
 
Parecida com uma bicicleta, o protótipo possui uma espécie de guidão e uma roda na parte da frente, que será conectada a uma cadeira de rodas convencional.
 
Os estudantes explicaram que o design da cadeira pretende proporcionar mais mobilidade e acessibilidade ao cadeirante.
 
“Ele não ficará refém de rampas de acesso, por exemplo. Com a roda de bicicleta que colocamos ele vai poder subir e descer de calçadas e escadarias com mais facilidade. Nossa intenção é fazer com que o cadeirante se torne independente em seu dia-a-dia”, explicou Anna Beatriz.
 
Desde a concepção do projeto, a ideia era criar algo que fosse financeiramente acessível para qualquer pessoa, independentemente de sua classe social.
 
Anna Beatriz contou que o cadeirante que participou da construção da cadeira apontou que, além de ser acessível e proporcionar independência aos deficientes físicos, o protótipo deles ainda auxilia na prática de exercícios físicos.
 
“Ele disse que a cada puxada no guidão sentia que estava exercitando a parte superior de seu corpo, como braços, ombros e peitoral”, contou.
 
De acordo com a estudante, durante a construção da cadeira, ela e Hansvictor foram questionados quanto ao desgaste físico que o modelo de cadeira de rodas poderia provocar ao cadeirante. Pensando em como o deficiente faria para subir ruas íngremes ou ladeiras, os jovens decidiram instalar uma marcha na cadeira.
 
“Em Cuiabá e Várzea Grande, há muita subida e descida, com a marcha o cadeirante poderá colocar um peso mais leve. Uma cadeira normal demanda mais esforço e não proporciona a mesma acessibilidade”, disse.
 
Orientados por um professor, que é engenheiro mecatrônico, os estudantes demoraram três meses entre a confecção do projeto teórico e a construção do protótipo, que teve custo de R$ 270.
 
“Demoramos tanto tempo porque dependemos de doações de partes de bicicletas para poder construir. Mas é possível fazer a cadeira em duas semanas, no máximo”, explicou a estudante.
 
Para Hansvictor, a construção da cadeira foi uma oportunidade de trabalhar conceitos e teorias da matemática e da física. O objetivo dos estudantes é fazer com que o projeto alcance a maior quantidade possível de pessoas e que um dia todos os cadeirantes possam ter acesso a algo parecido com o protótipo criado por eles.
 
“Não queremos que o projeto morra aqui. Pesquisamos muito e achamos um meio de fazer com que os cadeirantes tenham mais acessibilidade. Nos já fizemos o mais difícil que foi materializar a cadeira, agora queremos que ela alcance mais pessoas”, explicou Hansvictor.
 
Os projetos foram expostos na 14º Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada entre terça-feira (24) e quinta-feira (26). Segundo Sávio, cerca de 50 projetos de estudantes de escolas públicas e universidades de Mato Grosso foram apresentados durante o evento.
 
Fonte: g1.globo.com